quinta-feira, novembro 30, 2017


o amor partiu

despedaçados, seguimos
colados à lonjura
rarefeita de nós

[desse pouco que resta em nós] 

segunda-feira, novembro 13, 2017


porque não havia lugares antes habitados


ou por desabitar


éramos quem sempre fomos, mas estrangulados de nós dois


restava então alimentar memórias descalcificadas


a caírem uma após a outra de nossas trêmulas mãos


que sequer tinham forças para semear a terra


ou acenar adeus


[migalhas, eis o que são]

domingo, abril 30, 2017

já não existe um último sorriso

sequer um adeus

tuas mãos perderam a força

teus pés não sabem mais como andar


[dia após dia o cheiro de fezes e urina confunde-se às memórias que guardarei do senhor]


sofro em silêncio com medo e só

e não sei se amarguro todo destino

ou ante deus enfim ajoelho

para saber-te descansar em paz

 








terça-feira, fevereiro 28, 2017

aonde repousas
se o céu ficou preso aos pesadelos de infância
e sob meus pés encontro apenas
silêncio ruína e dor

as estações transfiguradas em lugar algum
tenho medo do adeus que não pude dizer-te
tenho medo daquilo que não sei
tenho medo

e sem tuas mãos por velar meu partir
sob as pálpebras repousará  sequer um sonho
que não o do menino aninhado em teu colo
escutando antigas canções de ninar 

sexta-feira, janeiro 20, 2017

peco em mim

naquilo que não estás


porque nua, porque puta


porque amiga


porque irmã


terça-feira, janeiro 17, 2017

esqueces meu nome meu rosto teus amanhãs

já não sabes de nós, preso ao que resta de cada poente


[vês uma foto. me carregavas no colo. o que dizem teus olhos?]


envelheces e é só teu o silêncio


que nos traz de volta a esse lugar.

segunda-feira, novembro 30, 2015




do alvorecer retorno

agora sabedor dos tempos idos

não mais o silêncio d’outrora



sou homem menos que sombras

sou vestígio menos que arremedo

sou horizonte menos que precipício